segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A Ira Dos Anjos - 3 - 3 – O lamento de uma mãe.


A Ira Dos Anjos - 3 - O lamento de uma mãe.

     Solidão, as vezes até o silêncio me confunde, como se houvesse algo inesperado em meu peito que sublima uma explicação com sentido. Quando anoiteceu eu me entreguei para uma das minhas fugas prediletas, o alcool, os cigarros. Vejo os carros passando lá em baixo, o meu apartamento tem uma vista maravilhosa para a cidade.
     Porém esta noite tudo estava mais negro.
     Eu tento me controlar.
     Entro em um turbilhão. Ainda vejo os olhos daquelas crianças mortas, aqueles olhos sem vida, aquela dor contida. Ainda ouço os gritos da mãe. Eu sei que se tivesse chegado antes…
     O telefone tocou cedo.
     Minha cabeça latejava quando eu desci do carro, minhas aspirinas estavam no fim. Era uma casa de suburbio muito tradicional, cerca baixa, cachorro latindo, binquedos pelo gramado. A porta de madeira muito polida com uma campanhina de gingle. Eu sinto o cheiro de limpeza assim que a dona de casa gorda abre a porta.
     - Sr. Xavier? – ela pergunta com olhos grandes e lacrimejosos. Era uma boa mãe, eu nunca poderia jugar-la.
     - Sim, vim o quanto antes.
     O sofá era macio, o café era quente, senti o mesmo bater no meu estômago vazio. A naúsea tomou conta do meu corpo e quase ponho toda minha loucura de ontem para fora no chão limpíssimo daquela casa. Me controlei com todas as forças porém, tenho certeza que ela notou minha mão tremendo. O rosto daquela senhora gorda estava abatido, o escuro das olheiras nos seus olhos denunciavam as noites mal-dormidas. Ela demorara quatro dias para me ligar dês que o seu menino desapareceu. Ela dissera que fora em uma noite, ele saira pela janela e nunca mais aparecera, eu perguntei se poderia ver o quarto do mesmo e ela me conduziu pelas escadas.
     - Por favor senhor Xavier.
     Era um quarto de criança, menino de uns nove anos de idade. A mãe me confirmara a idade logo depois. Aeromodelos, a mãe me dissera que ele adora aeromodelos. O quarto era todo normal, a mãe não mexera em nada des do desaparecimento do garoto. Todos os familiares estavam na busca e a policia era ostensiva. fIcaram sabendo que eu sou um expecialista e o telefonema aconteceu.
     Os galhos de uma árvore batiam na janela do quarto, por ali fora onde provavelmente ele descera.
     - Ele não é muito atlético, nunca se deu bem em esportes mas  eu já vi ele descendo por esta árvore.
     Não esperava encontrar nada de tão secreto embaixo da cama, a idade de esconder revistas de adulto ainda não chegara. Porém algo me chamou a atenção, tirei uma pasta cheia de desenhos.
     - Você sabia que ele desenhava?
     - Ele faz alguns desenhos mas este ele não me mostrou.
     Todos os desenhos representavam um campo com uma figura de um homem em pé. Não sei se força imaginativa da criança significava algo mas o homem parecia possuir braços e pernas desproporcionais.
     Ele também não tinha rosto.
     - E você sabe sobre o que é este desenho?
     - Não sei, normalmente ele desenhava aviões….
     - Ele parecia estranho? Algum comportamento anormal?
     - Meu edward não estava dormindo bem, todas as noites ele acordava reclamando de pesadelos. Eu até achei que os seus amigos da escola estavam contando histórias de terror novamente. Eu estava querendo até ir por lá mas aconteceu…
     - Eu sei. Tem alguma foto que possa me dar?
     - Eu dei a maioria das fotos para a polícia, mas eu tenho esta daqui que eu tirei recentemente, eu estava dormindo do lado da foto – ra uma foto do jovem edward em um parquinho com outras crianças, ele era um rapaz com semblante sério e cabelos muito negros. A mãe me dissera que fora tirada um dia antes dele desaparecer.
     O garoto já havia sumido há quatro dias. Não falei para a mãe sobre as crianças mortas, isso seria trágico demais para ela…
     Mas sinceramente…
     Eu sempre sigo o caminho inverso da policia. Fui até o parque da fotografia para pensar um pouco. Precisava começar em um ponto onde não cavaram ainda.
     Eu não gosto de parques, não tenho boas lembranças de parques. Era um parque tradicional com brinquedos tradicionais, um gira-gira, balanços, gangorras. Na foto o garoto estava sentado no gira-gira, então sentei-me lá também. Eram seis e meia da manhã. O silêncio era completo.
     O sentido bucólico dos fantasmas que pairavam no lugar me deixavam incomodado. Era um parquinho de criança, algumas árvores no fundo formavam um pequeno bosque com uma trilha, casinhas e uma sandbox. O barulho que as correntes do balanço faziam no silêncio daquele lugar e o vento que moviam as folhas enchiam meu peito de um sentimento injustificavél. Olhei novamente a foto e as crianças riam e sorriam, só aquele garoto com aparencia de cansado reinava no centro da foto.
     Meu celular toca. 
     - Ross? É, eu estou no caso. Fui contratado por fora porque a mulher não confia em vocês – rimos – estou no parque, te ligo se encontrar algo de novo.
     Algo novo…
     Algo novo seria um final feliz.
     Algo novo  seria eu descansar em paz.
     Algo novo seria eu ser quem eu era.
     Levanto-me, tinha trabalho a fazer e pouco tempo. Alguma das respostas estariam com seus amigos de escola, eu só não sabia quais perguntas eu deveria fazer.

terça-feira, 31 de julho de 2012

A Enfermaria - 2 -


23 de Novembro de 1942

              Meu nome é Andrew Holmes, sou Sargento da força tarefa Oriental com mais de 23 mil homens nas tropas britânicas.
            Estou envolto de névoa.
            Os campos de batalha queimam em seu interior e os soldados caidos sentem a areia quente no rosto junto aos seus últimos momentos de vida, tudo seria cruel demais se a vida e a morte fossem apenas uma pequena passagem sobre o surreal e o irreal. A carne dos meus amigos queimando lentamente. Tudo era um flash terrível do que tinha acontecido mas eu não lembro, não consigo lembrar. A enfermaria entrava na tarde, eu passei a manhã inteira dormindo, aos poucos mais corpos feridos, mais corpos mortos chegavam ao local. Não vi o Dr. Alamein o dia inteiro, minha vista estava um pouco escura e eu respirava com dificuldade. Pedi por socorro várias vezes e não obtive resposta, tudo era muito terrivel e e sentia que o meu sofrimento era parte de um plano maléfico divino…
            Estou morrendo?
           
            23 de Novembro de 1942 (madrugada, não sei exatamente que horas)
           
            Eu escutei vozes, estou escrevendo para que eu não me esqueça, talvez seja feito testes com minha sanidade mental, por isso, é importante eu tomar nota deste acontecimentos. Eu tive a impressão que o deserto chamava pelo meu nome, eu consegui me levantar e caminhar por entre as macas. Ví os médicos, os pacientes, as enfermeiras dormindo. Todos eles possuiam em seu semblante uma sensação de dor e desespero. Tomo nota porque me parece ter sido um sonho mas foi muito real. O A penumbra do ambiente e a sede que eu sentia era tamanha, minhas pernas doiam um bocado e pelos ferimentos que elas tinham eu não sei ao certo como eu estava em pé, senti uma dor lacinante porém não conseguia parar. O deserto me chamava…
            Do lado de fora da mesquita uma tempestade de areia cobria toda minha visão, a areia densa rasgava-me a garganta e os grãos que batinham em minha pele faziam-na coçar. Eu vi uma sombra caminhando em minha direção lentamente, meu estômago tomava nota de vários dias sem se alimentar, minha língua rachava em sede, eu sentia-me perdido em meio ao deserto mortal com os pés rachando, com as mãos cortadas e com minha sanidade sendo destruida pouco a pouco pelo sol mortal, meus olhos lacrimejavam porém as lágrimas não rolavam. Eu queria chorar mas não conseguia… A última coisa que eu consigo lembrar é as areias tomando conta do meu corpo e me destruindo.

            24 de Novembro de 1942

           
             Meu nome é Andrew Holmes, sou Sargento da força tarefa Oriental com mais de 23 mil homens nas tropas britânicas.
             Acontecera algo, as enfermeiras corriam pela mesquita levando macás. Três soldados que fazem a escolta do local passaram correndo entre os apertados corredores abarrotados de feridos. Todos empunhavam seus rifles e metralhadoras. Vi Dr. Alamein de relance, sua roupa estava coberta de sangue mas não parecia ser dele. Perguntei para alguns dos feridos do qual não fiz amizade se era alguma entrada nova, mas ninguém sabia responder ao certo. Durante toda a manha e toda a tarde o vem e vai de soldados e enfermeiras fora frenético, os feridos que davam entrada ficavam a espera até mesmo de pulseiras. Fiquei sem saber o que ocorria.
            Estou em dúvida sobre o meu suposto sonho, o deserto me chamando? Li novamente minha nota da madrugada, não lembro de te-la escrito, minha memória está uma névoa tensa e profunda. Forço e meu ar acaba.
            Antes da tarde cair eu ví pela última vez no dia Alamein. Ele sentou-se, ajoelhou-se e começou a rezar para Alá.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A Ira Dos Anjos - 2 - Querubim



2 - Querubim
    
     A floresta era densa, árvores gigantescas dificultavam a visão, uma pequena névoa da manhã comum em dias de frio pairava no local de uma maneira fantasmagórica. O clima era quebrado pelos carros de polícia e as sirenes, vi o carro da péricia forense se aproximar, vinha lento e pesado e parou com uma tristeza do meu lado.
     - Tenho te visto com muita frequência, Xavier - Rosevelt, um dos maiores peritos forenses que já conheci, pena que seu vício no jogo estragava sua genialidade. Homem de meia idade, não queria se aposentar pois seu trabalho era a única coisa que possuia.
     - Ross, mais um daqueles.
     Eu e Ross andamos pela floresta, muitos policiais tiravam fotos do lugar, outros tentavam recolher provas mas nunca encontravam nada. Um deles, parecia ser muito jovem para o que fazia se direcionou para Ross.  
     - Os orgãos internos foram retirados de maneira cirurgica, parece que foi usado um instrumento cortante como um bisturi ou algo parecido, todas as outras estavam do mesmo jeito – Ross permanecia em silêncio, ele olhou para mim com olhos desperançosos, como se quisesse sair dali. O rapaz olhava para Rosevelt esperando resposta, sinto que me ignorava mas o mesmo  sabia quem eu era – foi obra de um profissional.
     Profissional!?
     O mundo enlouquecera!
     A criança estava deitada de lado, como alguém que dorme, sua boca estava aberta e sua barriga estava aberta em um corte na vertical que ia do pescoço até o pubís, por dentro não havia nada, viceras, coração, pulmão, tudo fora retirado. Era grotesco ver aquela criança ali vazia, morta. Era uma menina de uns nove anos de idade. Estava vestida púdicamente, porém sem a blusa e com o corte mortal. Seu rosto era sereno como se estivesse dormindo.
     - Acho que o corte e a retirada dos orgãos internos é uma marca registrada, deve ser algum culto religioso por aqui – Ross estava cansado, seus olhos estavam pesados, ele não queria admitir mas precisava se aposentar, tanto ele quanto eu – ele era a criança que você estava atrás Xavier?
     - Sim, a familia me contactou há três dias, me deu fotos e alguns dados, falei com algumas amigas dela, conhecidos, familiares. Um senhor falou que viu a menina entrando aqui na noite passada e então o corpo fora achado.
     - Quem a viu!?
     - Não, eu já averiguei, o nome do velho é Davidson, e estava na companhia de mulher e filhos, não parecem mentirosos, mora do outro lado da estrada. Conversei com ele e ele me dissera que viu a menina entrar na floresta de madrugada.
     - O que me preocupa é  o fato de ser a terceira criança encontrada na mesma situação. Estou preocupado tudo indica ser um serial Killer.
     - Sim, tudo indica que seja. Mas o fato que não há pistas, não há nada que indique alguém, nada, as lesões no corpo são sempre as mesmas.
     - Xavier, eu estou cansado – Rosevelt me disse isso com os olhos brilhantes, era triste ver aquele homem cair daquele jeito, cansado. Um serial Killer? Seria desgastante, seria tenebroso mas era o que parecia.
     Criança.
     Sem orgãos internos.
     Sem pistas.
     Me afastei dos policiais, da perícia, de Ross. Andei para o interior daquela densa floresta de longas arvores ramificadas. Era um lugar clastrofóbico, muito simples de se perder, eu andei em linha reta por algum tempo e quando olhava para trás sentia que eu tinha andado em circulos. Parei e dei uma olhada na paisagem, era tudo silencioso e mortal a névoa e o frio tornava tudo mais branco e tudo mais solitário. As árvores pareciam ter vida própria e eu sentia que era seguido.
     - Rossevelt!? É Você? – gritei para trás mas não obtive resposta, apenas o silêncio que engolia. Resolvi voltar, mas eu não encontrava o caminho certo. Não conseguia mais ouvir as sirenes e os carros policiais, sentia meus passos ecoarem atrás de mim como se os mesmos me perseguissem, sentia meu coração entrar em um rítmo constante com a floresta, minhas mão suavam e estava frio. Eu olhei para trás na ultima esperança de encontrar o caminho pelo qual vim e quando volto minha vista para frente sinto que a floresta havia esticado. Uma das árvores parecia se mexer, não sabia se era uma ilusão de ótica feita pelo alcool ou pelo cansaço. Eu me aproximei e senti uma dor forte nos olhos, os galhos da arvore se mexiam como tentáculos e o tronco era negro como se fosse o tronco de um homem alto. Minha atitude foi ficar parada olhando enquanto aquela árvore se aproximava de mim, eu ouvi vozes de várias crianças na minha cabeça. Elas gritavam e choravam, eu vi a menina morta sendo aberta e suas viceras pulando fora. Aquilo se aproximava de mim e minha respiração se tornava dificil. Eu estava caido no chão de joelhos e não conseguia me mover. A floresta tinha se fechado ao meu redor e eu não conseguia mais enxergar, tudo girava e eu estava paralizado. Aquilo se aproximou de mim mas eu não consguia ve-lo, sabia que estava perto de mim mas não sabia aonde.
     - Xavier! Por Deus o que faz aqui!? – Ross segurando meu ombro.
     - Rosevelt!! – meu coração acelerado começou a voltar – eu não sei, não sei mesmo, não sei o que aconteceu, eu acho que estou pirando. Vamos voltar!
     Levanto-me, dou uma última olhada para trás e tenho a sensação de ser observado.    

A Ira Dos Anjos - Prólogo

1 - PRÓLOGO

     A mãe chora.
     Eu sou o cara que dá as más notícias, eu sou o cara que falou que o filho dela de nove anos de idade fora encontrado morto em uma área de mata fechada com os orgãos internos arrancados e que o corte fora algo feito por metal, ou seja, descarta a hipótese dele ter sido atacado por um animal, na minha língua o nome disto é assassinato.
     A mãe chora. A família toda chora, o garoto estava desaparecido há mais ou menos nove dias. Ele simplesmente sumiu e a familia desesperada entrou em contato comigo. Tenho um escritório especializado em busca de crianças desaparecidas, estou neste ramo há mais ou menos dez anos. No começo era algo gratificante, principalmente quando achavamos crianças que tinham fugido dos pais ou se perdido. Claro que a gratificação começou a acabar quando as crianças eram encontradas mortas, muitas de formas horriveis.
     Eu bebia para esquecer, mas acho que isso é cliché.
     Eu trabalhava em conjunto com as forças policiais locais, claro que quando os federais eram envolvidos meu trabalho era dificultado em cem porcento, mas eu criei uma certa fama no meio, eu sempre encontrava as crianças, vivas ou mortas.
     Mas, havia algo estranho desta vez…

sábado, 28 de julho de 2012

Páginas Arrancadas 1 - Enfermaria




21 de Novembro de 1942
           
            Meu nome é Andrew Holmes, sou Sargento da força tarefa Oriental com mais de 23 mil homens nas tropas britânicas. Até onde eu consigo lembrar eu fazia parte da terceira divisão de infantaria e a vida não era nada fácil. Dividimos o esquadrão em quatro frentes e estavamos avançando rapidamente. Agora estou em uma enfermaria improvisada no meio do deserto de Al-Hassad, não consigo me lembrar do que aconteceu, minha cabeça doi e meu corpo está muito ferido. Perguntei para um médico com aparencia de Mouro e ele me disse que eu fiquei desacordado por uma semana inteira.
            Ouço gritos, muitos feridos, vejo algumas cenas grotescas mas a guerra acaba nos deixando nosso coração demasiadamente duro. Não consigo lembrar do rosto e nem dos nomes dos meus companheiros. Não lembro como eu cheguei aqui… A enfermaria é improvisada em um predio que mais lembra uma mesquita. Há macas espalhadas por todos os lados e os menos feridos estão dispostos pelo chão. Pelo que ouvi alguns médicos conversarem, naquele lugar há mais de 60 homens feridos e dez homens que praticamente estão mortos. 
            Notei que tenho uma pulseira de coloração azul no braço direito, quando acordei ela já estava lá. O médico não quis responder o que ela significava. Notei que o soldado ao meu lado possuia uma de coloração laranja alguns outros de coloração vermelha. O médico Mouro me visitou mais uma vez antes da noite cair, ele me disse em um inglês muito ruim que se eu precisasse de alguma coisa eu poderia contar com ele.
           
            22 de Novembro de 1942

            Meu nome é Andrew Holmes, sou Sargento da força tarefa Oriental com mais de 23 mil homens nas tropas britânicas. Mal consigo me lembrar do dia de ontem mas minha anotação me ajudou com as memórias nesta névoa britânica. Me senti sufocado nesta madrugada, senti uma fome gigantesca e acordei assustado. Eu queria sair para comer alguma coisa mais minhas pernas doiam muito, eu levantei o lençol e vi que minhas pernas estavam em carne viva porém, ainda estavam lá. Puseram um homem do meu lado do qual o mesmo gritava estéricamente, recém saido do campo de batalha com bandagens cobrindo parte do rosto, quando o médico retirou a bandagem vi sangue voar para todos os lados, o homem havia sofrido um ferimento com granada e seu rosto estava completamente desfigurado. Assisti toda a cena com uma dor no peito, o campo de batalha deveria ter me endurecido, mas eu ainda continuava um inglês.
            Parece que os que morrem ganham pulseiras pretas.
            Me pergunto ainda o que acontecera com minha divisão, não lembro do rosto dos meus companheiros, não lembro de nada do que acontecera. Os médicos estão preocupados demais para fazer perguntas. Perguntei sutilmente para o Mouro quem estava ganhando e ele me dissera que os aliados estavam indo muito bem.
            Falando no Mouro, descobri que seu nome é Alamein al Hessean, Egípcio e está ajudando aos aliados. Em uma breve conversa ele me dissera que seus filhos morreram na guerra e sua mulher fugira, ela o esperava mas ele tinha que ficar e ajudar-nos. Era um homem de coragem, nunca se sabe quando pode cair uma bomba e matar a todos neste lugar. Alamein era muito alto, talvez sua altura fosse desproporcional, e andava rapidamente entre as macas. Moreno de pele brilhosa sempre estava cuidando dos feridos, notei que ele dá algumas pulseiras mas só descobri que os que morrem ganham as pretas.
            As enfermeiras são inglesas e americanas, há algumas das redondezas mas eu não consigo me comunicar com elas, não falo o idioma e muito menos o compreendo. Uma nota curiosa do qual estou intrigado: chegara um soldado antes do cair da noite, ele parecia estar em choque, estava muito ferido porém suas feridas não eram de tiros ou explosões, parecia que ele fora mordido por algo bem grande, ele parecia ter sido mastigado por um monstro. Seu rosto completamente desfigurado e seus membros arrancados, a única coisa que ele tinha era um braço pendurado do qual era visível as marcas de mordidas. Perguntei para Alamein o que podeira ter atacado aquele homem mas ele ficou calado e desaparecera na multidão. O homem não resistiu muito tempo porém nunca vi um homem morrer com tanta dor e tanto desespero.
            A guerra não mastiga as pessoas.