A Ira Dos Anjos - 3 - O lamento de uma mãe.
Solidão, as vezes até o silêncio me confunde, como se houvesse algo inesperado em meu peito que sublima uma explicação com sentido. Quando anoiteceu eu me entreguei para uma das minhas fugas prediletas, o alcool, os cigarros. Vejo os carros passando lá em baixo, o meu apartamento tem uma vista maravilhosa para a cidade.
Porém esta noite tudo estava mais negro.
Eu tento me controlar.
Entro em um turbilhão. Ainda vejo os olhos daquelas crianças mortas, aqueles olhos sem vida, aquela dor contida. Ainda ouço os gritos da mãe. Eu sei que se tivesse chegado antes…
O telefone tocou cedo.
Minha cabeça latejava quando eu desci do carro, minhas aspirinas estavam no fim. Era uma casa de suburbio muito tradicional, cerca baixa, cachorro latindo, binquedos pelo gramado. A porta de madeira muito polida com uma campanhina de gingle. Eu sinto o cheiro de limpeza assim que a dona de casa gorda abre a porta.
- Sr. Xavier? – ela pergunta com olhos grandes e lacrimejosos. Era uma boa mãe, eu nunca poderia jugar-la.
- Sim, vim o quanto antes.
O sofá era macio, o café era quente, senti o mesmo bater no meu estômago vazio. A naúsea tomou conta do meu corpo e quase ponho toda minha loucura de ontem para fora no chão limpíssimo daquela casa. Me controlei com todas as forças porém, tenho certeza que ela notou minha mão tremendo. O rosto daquela senhora gorda estava abatido, o escuro das olheiras nos seus olhos denunciavam as noites mal-dormidas. Ela demorara quatro dias para me ligar dês que o seu menino desapareceu. Ela dissera que fora em uma noite, ele saira pela janela e nunca mais aparecera, eu perguntei se poderia ver o quarto do mesmo e ela me conduziu pelas escadas.
- Por favor senhor Xavier.
Era um quarto de criança, menino de uns nove anos de idade. A mãe me confirmara a idade logo depois. Aeromodelos, a mãe me dissera que ele adora aeromodelos. O quarto era todo normal, a mãe não mexera em nada des do desaparecimento do garoto. Todos os familiares estavam na busca e a policia era ostensiva. fIcaram sabendo que eu sou um expecialista e o telefonema aconteceu.
Os galhos de uma árvore batiam na janela do quarto, por ali fora onde provavelmente ele descera.
- Ele não é muito atlético, nunca se deu bem em esportes mas eu já vi ele descendo por esta árvore.
Não esperava encontrar nada de tão secreto embaixo da cama, a idade de esconder revistas de adulto ainda não chegara. Porém algo me chamou a atenção, tirei uma pasta cheia de desenhos.
- Você sabia que ele desenhava?
- Ele faz alguns desenhos mas este ele não me mostrou.
Todos os desenhos representavam um campo com uma figura de um homem em pé. Não sei se força imaginativa da criança significava algo mas o homem parecia possuir braços e pernas desproporcionais.
Ele também não tinha rosto.
- E você sabe sobre o que é este desenho?
- Não sei, normalmente ele desenhava aviões….
- Ele parecia estranho? Algum comportamento anormal?
- Meu edward não estava dormindo bem, todas as noites ele acordava reclamando de pesadelos. Eu até achei que os seus amigos da escola estavam contando histórias de terror novamente. Eu estava querendo até ir por lá mas aconteceu…
- Eu sei. Tem alguma foto que possa me dar?
- Eu dei a maioria das fotos para a polícia, mas eu tenho esta daqui que eu tirei recentemente, eu estava dormindo do lado da foto – ra uma foto do jovem edward em um parquinho com outras crianças, ele era um rapaz com semblante sério e cabelos muito negros. A mãe me dissera que fora tirada um dia antes dele desaparecer.
O garoto já havia sumido há quatro dias. Não falei para a mãe sobre as crianças mortas, isso seria trágico demais para ela…
Mas sinceramente…
Eu sempre sigo o caminho inverso da policia. Fui até o parque da fotografia para pensar um pouco. Precisava começar em um ponto onde não cavaram ainda.
Eu não gosto de parques, não tenho boas lembranças de parques. Era um parque tradicional com brinquedos tradicionais, um gira-gira, balanços, gangorras. Na foto o garoto estava sentado no gira-gira, então sentei-me lá também. Eram seis e meia da manhã. O silêncio era completo.
O sentido bucólico dos fantasmas que pairavam no lugar me deixavam incomodado. Era um parquinho de criança, algumas árvores no fundo formavam um pequeno bosque com uma trilha, casinhas e uma sandbox. O barulho que as correntes do balanço faziam no silêncio daquele lugar e o vento que moviam as folhas enchiam meu peito de um sentimento injustificavél. Olhei novamente a foto e as crianças riam e sorriam, só aquele garoto com aparencia de cansado reinava no centro da foto.
Meu celular toca.
- Ross? É, eu estou no caso. Fui contratado por fora porque a mulher não confia em vocês – rimos – estou no parque, te ligo se encontrar algo de novo.
Algo novo…
Algo novo seria um final feliz.
Algo novo seria eu descansar em paz.
Algo novo seria eu ser quem eu era.
Levanto-me, tinha trabalho a fazer e pouco tempo. Alguma das respostas estariam com seus amigos de escola, eu só não sabia quais perguntas eu deveria fazer.

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