terça-feira, 31 de julho de 2012

A Enfermaria - 2 -


23 de Novembro de 1942

              Meu nome é Andrew Holmes, sou Sargento da força tarefa Oriental com mais de 23 mil homens nas tropas britânicas.
            Estou envolto de névoa.
            Os campos de batalha queimam em seu interior e os soldados caidos sentem a areia quente no rosto junto aos seus últimos momentos de vida, tudo seria cruel demais se a vida e a morte fossem apenas uma pequena passagem sobre o surreal e o irreal. A carne dos meus amigos queimando lentamente. Tudo era um flash terrível do que tinha acontecido mas eu não lembro, não consigo lembrar. A enfermaria entrava na tarde, eu passei a manhã inteira dormindo, aos poucos mais corpos feridos, mais corpos mortos chegavam ao local. Não vi o Dr. Alamein o dia inteiro, minha vista estava um pouco escura e eu respirava com dificuldade. Pedi por socorro várias vezes e não obtive resposta, tudo era muito terrivel e e sentia que o meu sofrimento era parte de um plano maléfico divino…
            Estou morrendo?
           
            23 de Novembro de 1942 (madrugada, não sei exatamente que horas)
           
            Eu escutei vozes, estou escrevendo para que eu não me esqueça, talvez seja feito testes com minha sanidade mental, por isso, é importante eu tomar nota deste acontecimentos. Eu tive a impressão que o deserto chamava pelo meu nome, eu consegui me levantar e caminhar por entre as macas. Ví os médicos, os pacientes, as enfermeiras dormindo. Todos eles possuiam em seu semblante uma sensação de dor e desespero. Tomo nota porque me parece ter sido um sonho mas foi muito real. O A penumbra do ambiente e a sede que eu sentia era tamanha, minhas pernas doiam um bocado e pelos ferimentos que elas tinham eu não sei ao certo como eu estava em pé, senti uma dor lacinante porém não conseguia parar. O deserto me chamava…
            Do lado de fora da mesquita uma tempestade de areia cobria toda minha visão, a areia densa rasgava-me a garganta e os grãos que batinham em minha pele faziam-na coçar. Eu vi uma sombra caminhando em minha direção lentamente, meu estômago tomava nota de vários dias sem se alimentar, minha língua rachava em sede, eu sentia-me perdido em meio ao deserto mortal com os pés rachando, com as mãos cortadas e com minha sanidade sendo destruida pouco a pouco pelo sol mortal, meus olhos lacrimejavam porém as lágrimas não rolavam. Eu queria chorar mas não conseguia… A última coisa que eu consigo lembrar é as areias tomando conta do meu corpo e me destruindo.

            24 de Novembro de 1942

           
             Meu nome é Andrew Holmes, sou Sargento da força tarefa Oriental com mais de 23 mil homens nas tropas britânicas.
             Acontecera algo, as enfermeiras corriam pela mesquita levando macás. Três soldados que fazem a escolta do local passaram correndo entre os apertados corredores abarrotados de feridos. Todos empunhavam seus rifles e metralhadoras. Vi Dr. Alamein de relance, sua roupa estava coberta de sangue mas não parecia ser dele. Perguntei para alguns dos feridos do qual não fiz amizade se era alguma entrada nova, mas ninguém sabia responder ao certo. Durante toda a manha e toda a tarde o vem e vai de soldados e enfermeiras fora frenético, os feridos que davam entrada ficavam a espera até mesmo de pulseiras. Fiquei sem saber o que ocorria.
            Estou em dúvida sobre o meu suposto sonho, o deserto me chamando? Li novamente minha nota da madrugada, não lembro de te-la escrito, minha memória está uma névoa tensa e profunda. Forço e meu ar acaba.
            Antes da tarde cair eu ví pela última vez no dia Alamein. Ele sentou-se, ajoelhou-se e começou a rezar para Alá.

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